Sou sophia, baby...
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Coisa boa de botar os olhos naquela hora eram os lábios dele manchados de vinho-velho-seco:
assimborDÔ. Já suas lágrimas abarrotadas no limiar dos “cílios debaixo” nunca lhe couberam
tão bem.
Daí traí sem tempo aquele silêncio vesgo :

EU - eu nasci dizendo eu te amo.

ELE - repete

EU- eu nasci dizendo eu te amo.

ELE - repete. Diz outra vez!

EU - eu nasci dizendo eu te amo (ri abafado com o rosto enfurnado no travesseiro. repleta de “graça libre”)

ELE - você nasceu ouvindo que te amam. Eu vim pra te dizer. (…)
(enquanto eu ria debochada em meio aos travesseiros, ele acende um cigarro e sai)

Eu- (aos berros em direção à porta) Como você é previsível!
(em tom baixo para mim mesma quase sorridente) Merda.

Vou até a janela. Ele vira a esquina de nuca fresca e ombros esguios descobertos. Entorno o resto do vinho que ele esquecera no parapeito da janela aberta.
Troco o vinil com a ponta dos
dedos na vitrola bordô cantarolando à vontade de pés descalços, a última canção do LADO B:
une chanson en français.

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